| Autobiografia
Nasci
em São Bernardo do Campo em 09 de maio de 1969, cidade que ainda
vivo. Sempre gostei de esportes, participava de todas as modalidades na
escola.
Comecei
à praticar o tênis de mesa tênis de mesa aos 7 anos,
na época estudava em uma escola japonesa chamada União Cultural
Nipo-Brasileira de São Bernardo do Campo, e nos intervalos das
aulas "brincava" jogando pingue-pongue com meus amigos. Um deles,
César Kamiya, treinava num clube, e me chamou para conhecer o lugar,
como eram os treinamentos, enfim como era o esporte. Esse clube, também
em São Bernardo do Campo, na época se chamava Palestra de
SBC, onde os jogadores da Seleção Brasileira treinavam.
Logo depois que comecei à praticar, meu amigo Cesar parou, pois
decidiu continuar só estudando, e eu então continuei sozinho.
Outros amigos meus, mais tarde, começaram a treinar, isso ajudou
para que eu continuasse no esporte.
O
técnico do clube se chamava Maurício Kobayashi, que 2 anos
mais tarde se tornaria o técnico da Seleção Brasileira.
Ele é um profissional muito exigente, que busca sempre o melhor
do atleta com treinos fortes de forma rígida e disciplinadora.
Maurício sempre deixou claro que é importante ter uma base
muito boa, por isso os treinos eram "puxados" com ênfase
nos detalhes dos movimentos da parte técnica. Sendo uma criança
de 7 anos, ficava assustado com a linha de trabalho dele, mas quando ele
observou, que eu estava interessado, tinha facilidade para aprender e
jogar, e por ser canhoto, que é uma grande vantagem para um mesa
tenista, pois dificulta muito o jogo para o adversário, resolveu
investir no meu treino. No começo, freqüentava duas vezes
por semana e com 8 anos de idade, iniciei os treinos diários, abrindo
a possibilidade de disputar campeonatos da Federação Paulista.
O Maurício dizia que o esforço no começo seria grande,
mas eu, com o passar dos anos, começaria à levar vantagem
sobre os outros jogadores. O resultado veio quando venci o meu primeiro
torneio, realizado na escola japonesa em que eu estudava. Foi um campeonato
interno e eu estava na categoria pré-mirim, até 10 anos
e a partir daquele momento comecei a conquistar campeonatos paulistas,
brasileiros e sul – americanos nas categorias juvenil, até
17 anos.
Em
1985, a convite do Sr. Yaoita, presidente de uma empresa de equipamentos
de tênis de mesa no Japão e ex-técnico da seleção
japonesa e Sr. Kassahara, ex-jogador da seleção japonesa,
fui fazer um estágio de 9 meses no Japão, treinando na Universidade
Nihon Daigaku, que era a mais forte do país. Quando voltei, com
17 anos de idade, fui convocado pela 1ª vez para a Seleção
Brasileira adulta, mas sabia que ainda tinha muito a desenvolver. O Maurício,
em alguns torneios de equipes, me colocava no banco de reservas observando
outros atletas, para mostrar que se eu quisesse melhorar meu jogo, deveria
aumentar a intensidade dos meus treinos e a minha concentração.
Ele sabia que com essas atitudes eu não desistiria, mas continuaria
com mais vontade de evoluir. O Maurício sempre acreditou que um
dia eu seria o número 1 do Brasil.
Após
o Japão, passei por novas experiências, na Suécia
em 1988 no clube "Ranas BTK", de 1992 a 1994 na Bélgica
no clube "Pantheon Royal Smash" e em 1996 novamente na Suécia
no clube "Falkenberg".
No
tênis de mesa fiz muitos amigos, que mantenho até hoje e
nem preciso citá-los, pois eles sabem o quanto os considero, mas
tenho que mencionar um dos grandes mesa tenista que o Brasil já
teve e que também foi meu amigo, Cláudio Kano. Ele foi meu
grande parceiro, aprendi muito com ele, principalmente porque era canhoto,
como eu. Foi contra o Cláudio que ganhei o torneio mais importante
para minha carreira, o Pan-Americano, em Havana, Cuba, em 1991. Joguei
a final contra o Cláudio e o venci por 3 x 1. A partir daquele
momento me tornei o número um do Brasil.
Ele
foi um dos responsáveis pelo lugar que ocupo hoje no esporte, de
uma certa forma, Cláudio me proporcionou uma das minhas maiores
alegrias, mas também minha maior tristeza, quando nos deixou em
1996.
Após
o falecimento do Cláudio, que ocorreu 3 semanas antes das Olimpíadas,
fiquei muito abatido, mas não podia fraquejar, naquele momento
teria que jogar por mim e pelo meu parceiro. Fui para Atlanta, onde obtive
meu melhor resultado em Olimpíadas, derrotando Jorgen Persson,
que estava entre os dez melhores jogadores do mundo. Eu e o meu técnico
Wei estávamos muito confiantes. Continuei obtendo bons resultados,
fui campeão Latino - Americano em 1998 e 2000 e campeão
Sul - Americano em 2000, terminando o ano em 62° no ranking da ITTF
(Federação Internacional do Tênis Mesa).
Na minha carreira realizei muitos sonhos, são 14 medalhas em 6 participações em jogos Pan-americanos, sendo 9 de ouro, recorde absoluto brasileiro em medalhas de ouro, participei de 4 Jogos Olímpicos e já estou me preparando para disputar minha 5ª Olimpiada em Pequim.
Acredito que a minha carreira está longe de terminar, tenho muita vontade, muito condicionamento físico e apoio de meus amigos e da família, que é fundamental.
Em relação a minha família, meus pais, desde o início,
me apoiaram muito, acreditando no meu potencial com palavras de incentivo
e força, quando mostrava falta de motivação em momentos
difíceis. Em algumas ocasiões estavam tão emocionados
e entretidos com os jogos e torneios que me chamavam atenção
no objetivo de incentivar e melhorar minha performance. Sempre tentei
retribuir este carinho e incentivo que continuam me dando até hoje.
Posso dizer que são as pessoas que mais me apóiam e continuo
tendo força e vontade de jogar principalmente por eles.
Hugo
Midia
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