Aos 50 anos, Hugo Hoyama mira seu 11º título do Pan agora no comando da seleção feminina

Dono de dez ouros como jogador, Hugo está em seu sexto ano como treinador da seleção feminina e, comemorando meio século de vida, dá entrevista para o GloboEsporte.com

Foto: Assessoria

Difícil falar em tênis de mesa no Brasil sem falar de Hugo Hoyama. Dez vezes campeão dos Jogos Pan-Americanos e presente em seis Olimpíadas como jogador, assumiu a seleção feminina em 2013 e mantém os mesmos objetivos: título continental e a participação olímpica. Neste nove de maio, comemora 50 anos de vida, e diz que seu maior presente foi o nascimento da filha, Ariel, em 2017. Em homenagem aos 50 anos de Hugo, o GloboEsporte.com faz um Ping-Pong com ele.

Hugo Hoyama com a filha — Foto: Arquivo pessoal

Como você se sente ao comemorar cinquenta anos?
Depois dos 35, é tudo igual. Cinquenta é uma marca, é um número especial, mas estou me sentindo jovem ainda (risos)

Depois de mais de 20 anos atuando pela seleção, você assumiu, em 2013, a seleção feminina. Quais são suas expectativas para esse ano e para o ano que vem?
– Estou há seis anos com a seleção. Expectativa é boa para as meninas, quem sabe conquistem o ouro no pan de 2019 e aí conseguem se classificar para a Olimpíada de 2020. Todo mundo sabe que uma medalha olímpica é muito difícil, mas qualquer vitória contra grandes jogadoras em uma Olimpíada será muito importante.

Bruna Takahashi no Mundial de tênis de mesa, ao lado de Hugo Hoyama — Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

São seis Olimpíadas como jogador, mais uma como técnico. E ainda tem cinquenta anos, ou seja, muito tempo pela frente…Pensa em atingir um número enorme de Olimpíadas, tipo nove, dez, onze…
– Não penso muito no futuro. Quanto mais eu conseguir ajudar as meninas, melhor, e aí eu vou ficando no comando do time.. Como jogador dependia só de mim, como técnico não é tão assim, mas quero aproveitar o máximo enquanto tiver ajudando as meninas.

O que é mais legal: ser técnico ou jogador?
– Não tem uma resposta. Como jogador você está na mesa, como técnico você está ali ao lado, vê as coisas de forma diferente. Estou gostando muito de ser técnico, mas não tenho uma resposta não. Meu principal objetivo é ajudar as meninas. Elas que vão fazer o jogo, sacar, dar cortada, sofrer…Eu fico sofrendo também, mas meu objetivo é sempre dar o suporte para elas.

Hugo Hoyama no Pan do Rio 2007 tênis de mesa — Foto: ALAOR FILHO / ESTADÃO CONTEÚDO

Você lembra quantos Mundiais você já disputou?
Fui em 18 como jogador e seis como técnico, ou seja, 24. O de 2004 foi o mais legal, ganhamos o título da segunda divisão. Estávamos desacreditados e ganhamos o título por equipes da segunda divisão. Foi no Catar. A cidade mais legal que eu conheci foi Cairo, no Egito. Era um país que eu tive o prazer de ir, visitar a pirâmide. Foi muito legal.

O jogo mais marcante?
Foram dois jogos. Um na final do Pan de 91, em Havana, contra o Cláudio Kano, minha primeira medalha de ouro individual na carreira. E o outro é a vitória sobre o sueco nas olimpíadas de Atlanta 1996, Jörgen Persson. Ele tinha quatro títulos mundiais e eu ganhei dele.

Hugo Hoyama, tênis de mesa — Foto: Sesc / Divulgação

Infelizmente, temos que lembrar as derrotas também…
A derrota mais marcante foi em Atlanta 1996, também na Olimpíada. Nas oitavas de final, perdi para o tcheco Petr Korbel, de virada. Tava 2 a 0 para mim e ele virou. Uma derrota bem dolorida mesmo…

Em 1996, antes daquela Olimpíada, você perdeu um grande amigo, o Cláudio Kano, que, em um acidente de moto, faleceu…
– Foi muito triste, foi uma dor muito grande. Ele era um rival dentro da quadra, mas um grande amigo fora dela. Cada um teve sua época, nós dois fizemos muito pelo tênis de mesa brasileiro, e um torceu muito pelo outro.

Hugo Hoyama levou a tocha no revezamento — Foto: Fernando Vidotto

Você não joga mais, mas com certeza acompanha de perto os jogos masculinos. Quem é o melhor da atualidade?
– O melhor atualmente é o Ma Long, sem dúvida. quando ele pega o tempo da bola, é muito difícil segurar. Ele passou por contusões, mas quando ele está 100%, quando encaixa, não tem para ninguém. Não é imbatível, mas é muito difícil de ser batido, principalmente em grandes competições, porque é ali que aparece o grande jogador.

O Brasil atualmente tem um jogador entre os dez melhores do ranking, Hugo Calderano. Você viu ele crescer. Até onde você acha que ele pode chegar?
– Quando ele estava entrando na seleção eu ainda jogava, ele tem muito talento. Eu sempre vou torcer para que ele conquiste grandes resultados. Não dá para dizer onde ele pode chegar, ele é ainda muito novo, o tênis de mesa evoluiu muito. Depende do chaveamento, mas com certeza é para ficar no top 6 por um bom tempo.

Hugo Hoyama e Lígia Silva — Foto: Divulgação / CBTM

Praticamente desde que você começou a jogar, o presidente da Confederação Brasileira é o Alaor Azevedo. Qual é sua opinião sobre ele?
– Alaor fez muito pelo tênis de mesa, sempre brigou pelos jogadores. Ele sabe que pode contar comigo, e eu com ele. Sem ele acho que não conquistaríamos esses resultados, é um cara que briga por nós. O presidente tem que estar ali, não só na mesa, como torcendo pelos atletas. E ele sempre grita na torcida, sempre nos acompanha

A China não perde um título mundial há mais de 15 anos. Você acha que a hegemonia está perto de acabar?
A hegemonia da china é muito grande, eles estão muito distantes dos outros. Foi ótimo ver um sueco em uma final do Mundial há três semanas, mas de cinco chineses, só um ficou na parte debaixo da chave. Aí, ele perdeu para um francês nas oitavas de final, e ficou fora da final. Mas é muito difícil de acontecer. Se tivessem dois ou três na parte de baixo debaixo da chave, seria muito difícil a final não ser entre dois chineses. É muito difícil tirar a hegemonia. Lá é muito organizado, o pessoal estuda demais. Só perde a hegemonia se aparecer algo como a Suécia na década de 90, que tinha três atletas espetaculares.

MEDALHA PAN-AMERICANAS DE HUGO

Categoria Ano Local Medalha
Equipe 1987 Indianópolis (EUA) Ouro
Individual 1991 Havana (CUB) Ouro
Duplas 1991 Havana (CUB) Ouro
Equipes 1991 Havana (CUB) Ouro
Individual 1995 Mar del Plata (ARG) Ouro
Duplas 1995 Mar del Plata (ARG) Ouro
Equipes 1995 Mar del Plata (ARG) Ouro
Duplas 2003 Santo Domingo (DOM) Ouro
Equipes 2007 Rio de Janeiro (BRA) Ouro
Equipes 2011 Guadalajara (MEX) Ouro
Duplas 1987 Indianópolis (EUA) Prata
Dupla mista 1995 Mar Del Plata (ARG) Bronze
Equipe 1999 Winnipeg (CAN) Bronze
Individual 2003 Santo Domingo (DOM) Bronze
Individual 2007 Rio de Janeiro (BRA) Bronze

Você também é conhecido por ser um palmeirense roxo, qual foi o jogo que você mais vibrou com o seu time?
– Final da Copa do Brasil de 1998, o gol do Oséas, contra o Cruzeiro. Eu estava lá no Morumbi, nem vi a bola entrar. Só vi a galera pular e eu fui no embalo. Foi um título muito legal.

Para terminar, qual é o seu presente de 50 anos?
– Maior presente eu já ganhei, que foi o nascimento da minha filha. infelizmente não vou comemorar os 50 anos com ela, estarei viajando pela seleção, mas o nascimento da Ariel foi o maior presente da minha vida.

 

Por globoesporte.globo.com

Fonte: Guilherme Costa

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