Hugo Hoyama enaltece evolução do Circuito Nacional, onde Cláudio Kano despontou como ídolo

Técnico da seleção feminina e lenda do esporte elogiou a atual estrutura e lembrou da importância dos intercâmbios

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O tênis de mesa brasileiro vive hoje sua melhor fase na história. Com os títulos internacionais, a manutenção da hegemonia continental e o protagonismo em campeonatos nacionais na Europa, surgem novos ídolos, posto que Hugo Hoyama ocupa há muitos anos. E assim como (ainda) a maior lenda da modalidade, todos eles tiveram seu primeiro brilho no Circuito Nacional.

Eu lembro da época em que não tínhamos nem separadores, era tudo junto mesmo. Isso para o desempenho do atleta é muito importante. Hoje temos iluminação adequada, piso oficial, mesas importadas, realmente o cenário ideal”, destaca Hoyama, que manteve a tradição de jogar pelo menos um Campeonato Brasileiro por ano – em 2015, a edição de Verão em Lauro de Freitas (BA).

Atualmente, o técnico da seleção feminina classifica seu estilo como “ultrapassado” – apesar de ter chegado ao vice-campeonato por equipes em solo baiano -, e admite o lugar de coadjuvante como jogador. Prefere destacar os grandes jogadores que viu nascerem para o esporte e hoje se destacam das mais variadas formas.

No circuito nacional eu vi surgir Gustavo Tsuboi, Cazuo Matsumoto e Thiago Monteiro. Até o Hideo Yamamoto, que hoje é técnico de São Caetano. Isso é muito bacana de se ver, o ciclo de um jogador aparecer, ganhar notoriedade, se tornar treinador e ajudar os mais jovens. É importante demais dar esse retorno”, opinou Hugo.

Intercâmbios determinantes desde a década de 1980

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Uma das grandes tristezas do tênis de mesa brasileiro foi o falecimento de Cláudio Kano, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, por ocasião de um acidente de motocicleta. Mas se o detentor de 12 medalhas pan-americanas é lembrado até hoje por seus feitos, também foi pioneiro em um dos grandes trunfos para a evolução da modalidade no país: o intercâmbio, que o tornou um dos ícones da época.

O fato do Claudio ter voltado do Japão em 1981 e demonstrado uma grande evolução, com resultados aparecendo, foi um grande fator motivador para quem era um pouco mais novo, que era o meu caso, já que ele era quatro anos mais velho que eu. A gente queria seguir os passos dele”, relembrou Hoyama.

Anos depois, o jovem Hugo rumaria para o mesmo Japão. Hoje, Tsuboi, Monteiro e Hugo Calderano, Lin Gui e Jessica Yamada atuam na Europa, enquanto Bruna Takahashi, atual campeã mundial infantil, passou por diversos períodos de treino na Ásia e o programa Diamantes do Futuro já fez duas viagens à China.

Eu estava com 15 para 16 anos quando fui. Esse era o principal passo para chegar onde eu queria, que era entrar na seleção brasileira. O Maurício fez um planejamento desde os meus 10 anos e me motivou muito até conseguir tudo isso”, contou Hoyama.

Lá a gente aprendeu e cresceu não somente na parte técnica. Em termos de vivência, de morar sozinho, aprender a cozinhar e a se virar, tudo isso também é muito importante”, completou.

Assim como Kano foi um exemplo para ele, o técnico da seleção destaca a importância da participação dos grandes nomes do Brasil na atualidade no Circuito Nacional, trazendo inspiração e motivação para os mais jovens.

É importante o Thiago, o Gustavo e todos eles estarem jogando aqui no Brasil, não só o Brasileiro como a Copa Latina. Principalmente para a garotada ver ao vivo os caras que são notícia, ganhando campeonatos lá fora”, concluiu.

Fonte: CBTM

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