Evento-teste dos Jogos Rio 2016 mostra que tênis de mesa vai muito além do pingue-pongue

Planejada nos mínimos detalhes e com look brasileiro, competição reuniu principais atletas da América do Sul no Riocentro

Atuação da equipe brasileira de tênis de mesa foi destaque no evento (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Atuação da equipe brasileira de tênis de mesa foi destaque no evento (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Se você ainda acha que pingue-pongue é sinônimo de tênis de mesa, é porque nunca testemunhou de perto uma competição da modalidade. Encerrado neste sábado (21), o Torneio Internacional de Tênis de Mesa, evento-teste do esporte para os Jogos Olímpicos Rio 2016, mostrou ao público no Riocentro o que é uma disputa de alto nível. Equipamentos, climatização, força de trabalho… Foi tudo planejado nos mínimos detalhes.

Conseguimos testar detalhes que podem ser imperceptíveis para as pessoas, como fluxo de área, iluminação e a própria cor do piso. Até o momento, o retorno que tivemos dos atletas e integrantes da Federação Internacional foi muito positivo”, comemorou Gustavo Nascimento, diretor de Gestão de Instalações do Comitê Rio 2016.

Na hora de rebater uma bolinha que cruza o ar a 200 km/h, um simples fluxo de ar pode fazer a diferença. Por isso, o ar-condicionado foi calibrado para não interferir na direção ou velocidade da bola, enquanto o sistema de iluminação foi posicionado para não criar sombras que pudessem dificultar a visualização das jogadas. As mesas, por sua vez, foram estreadas durante evento, respeitando as especificações técnicas exigidas pelo esporte.

Em relação às três edições dos Jogos que participei, o evento não deixou a desejar em nada. É claro que a proporção vai ser muito maior no ano que vem. Mas pelo que vi aqui, acho que o Brasil não terá nada com o que se preocupar”, disse o tetracampeão Pan-americano Thiago Monteiro, medalha de ouro na competição por equipes do torneio.

Segundo o presidente da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), Thomas Weikert, a realização do evento permitiu identificar os pontos fortes e também pequenos ajustes que garantirão o sucesso do torneio Olímpico.

Junto com a equipe do Rio 2016, conseguimos passar por todos os aspectos relevantes para a realização dos Jogos Olímpicos e ficamos satisfeitos com o progresso realizado e com as condições encontradas no Riocentro. Estamos confiantes que teremos Jogos incríveis no ano que vem“, disse.

Para garantir o 'fair play', todos os equipamentos são medidos antes das partidas (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Para garantir o ‘fair play’, todos os equipamentos são medidos antes das partidas (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Uma novidade logo chamou a atenção dos atletas que participaram do evento: o piso verde, no lugar do tradicional azul ou vermelho. A cor foi escolhida para celebrar os Jogos do Brasil, assim como a do gramado do Centro Olímpico de Hóquei, inaugurado na sexta-feira (20), em Deodoro.

Ficou bem brasileiro e não atrapalhou em nada as partidas. É um diferencial nosso, porque nunca tinha visto essa cor nas outras competições internacionais que participei”, disse o atleta brasileiro Cazuo Matsumoto, ouro na disputa por equipes no torneio.

Piso verde é testado para competições dos Jogos Rio 2016 (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Piso verde é testado para competições dos Jogos Rio 2016 (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Outro ponto de destaque foi a atuação dos 24 voluntários específicos do esporte, que ajudavam os atletas antes, durante e depois das partidas. Eles atuaram em funções variadas, como no controle de acesso às quadras e nas cerimônias de premiação.

Tanto para as atletas, que não estão acostumadas com essa ajuda dos voluntários durante um evento desse porte, como são os Jogos Olímpicos, o treinamento que eles recebem para atuar é fundamental. Acredito que esse é o teste mais importante feito aqui”, disse Hugo Hoyama, ex-atleta dono de 10 ouros em Jogos Pan-Americanos e atual técnico da seleção brasileira feminina de tênis de mesa.

Voluntários ajudaram a conduzir as cermônias de premiação do evento (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Voluntários ajudaram a conduzir as cermônias de premiação do evento (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Pingue-pongue x tênis de mesa, segundo os atletas

Além de todos os cuidados que cercam uma competição de alto nível, há outros fatores que diferenciam o tênis de mesa do pingue-pongue, como o material da raquete e as regras do esporte. Os atletas que participaram do torneio explicam:

É como se fosse outro esporte, realmente. O equipamento é totalmente diferente. A raquete, por exemplo, cada material utilizado provoca um efeito diferente. São coisas que são impossíveis de fazer no pingue-pongue do lazer” (Caroline Kumahara, vice-campeã por equipes)

Eu acho que nem sei jogar pingue-pongue! É como comparar a pelada a um esporte profissional” (Ligia Silva, ouro por equipes)

A velocidade e o número de rotações da bolinha são incomparáveis. Além disso, existem regras específicas e, para ser bom, é preciso muito treinamento” (Cazuo Matsumoto, ouro por equipes)

O tênis de mesa envolve muita estratégia. A gente se adapta a cada adversário e, nas partidas por equipes, geralmente discutimos diferentes táticas” (Thiago Monteiro, ouro por equipes)

Um europeu fora do ninho

Atletas de alto rendimento, aliás, você só vai encontrar no tênis de mesa. E, durante o torneio, foram os competidores da América do Sul que dominaram a cena. Dos 44 inscritos, apenas um não era do continente-sede dos Jogos Rio 2016. Paul Drinkhall, atual número 57 do ranking mundial e principal nome da Grã-Bretanha, venceu cada oponente que encontrou no torneio individual e conquistou a sua primeira medalha de ouro no Rio.

Estou feliz de ter vindo. É muito bom ganhar, obviamente. Mas o mais importante foi poder observar o lugar e espero que isso me ajude no ano que vem”, afirmou o britânico.

Paul Drinkhall chegou sozinho ao evento e garantiu o ouro no torneio de simples masculino (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Paul Drinkhall chegou sozinho ao evento e garantiu o ouro no torneio de simples masculino (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

O pódio do torneio de simples masculino ficou completo com a prata de Thiago Monteiro, do Brasil, e o bronze de Gaston Alto, da Argentina. Já na disputa por equipes, o time formado por Monteiro, Cazuo Matsumoto e Eric Jouti subiu no alto do pódio, enquanto uma segunda equipe do Brasil e da Argentina ficaram com a prata e o bronze, respectivamente.

Entre as mulheres, as brasileiras se alternaram no pódio. Gui Lin conquistou o ouro individual, seguida por Letícia Nakada (prata) e Bruna Takahashi (bronze). Na prova por equipes, o topo do pódio foi ocupado pelas também brasileiras Ligia Silva, Jéssica Yamada e Letícia Nakada. A prata ficou com o time formado por Lin, Takahashi e Kumahara, e o bronze com as chilenas Daniela Ortega, Karen Rojas e Natalia Castellano.

Torcida verde e amarela

A torcida também marcou presença no evento. Apesar de restrito ao público em geral, o torneio disponibilizou uma arquibancada para convidados. Entre os mais animados, estavam alguns cariocas que participaram da ação de engajamento do Comitê Rio 2016 na Central do Brasil, na última segunda-feira (16), e ganharam convite para assistir à disputa.

Ídolo nacional, Hugo Hoyama agora brilha fora das quadras, como técnico da seleção feminina (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Ídolo nacional, Hugo Hoyama agora brilha fora das quadras, como técnico da seleção feminina (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Fonte: Rio 2016

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