Seleção vai ao Mundial com gênio do cubo, “anfitriã” e professor Hoyama

Brasil chega a Suzhou com sete atletas, entre eles Hugo Calderano, que resolve um cubo mágico em poucos segundos, a chinesa Gui Lin e Hoyama no comando do time

A seleção brasileira de tênis de mesa disputa, a partir deste domingo, o Campeonato Mundial da modalidade, que será realizado na China. Com sete integrantes, a delegação tem como principal objetivo atingir o melhor resultado da história da modalidade – as quartas de final alcançadas há mais de 60 anos (veja abaixo). A principal esperança está com Hugo Calderano, um jovem de 18 anos que vem fazendo história e tem um trunfo importante: a inteligência. Ele consegue resolver o desafio do “Cubo Mágico” em menos 8,8 segundos (veja abaixo).

Outro destaque da delegação é um velho conhecido. Hugo Hoyama, dono de dez medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos como jogador, hoje é o treinador da seleção feminina, que vive a melhor fase da história. Ele é o tutor de Gui Lin, uma chinesa naturalizada, que vive no Brasil há quase uma década, e que sempre contou com Hoyama no suporte de treinos e no dia a dia em um novo país.

A competição tem as disputas individuais e duplas, feminino e masculino, além das duplas mistas. No primeiro dia, na madrugada deste domingo no horário de Brasília, serão disputadas as fases classificatórias das duplas mistas.

Hugo Calderano consegue resolver um cubo mágico

O GÊNIO DOS CUBOS
Grande nome da nova geração do tênis de mesa brasileiro, Hugo Calderano tem no currículo a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude do ano passado, e a prata nas duplas, ao lado de Gustavo Tsuboi, no Aberto do Catar desse ano. O número 60 do ranking mundial participa de seu segundo Mundial adulto e tenta um lugar entre os 32 melhores jogadores da competição.

Uma curiosidade é a rapidez com que Hugo consegue resolver o famoso “Cubo Mágico”, aquele quebra-cabeça colorido em três dimensões. O jogador consegue acertar as cores do brinquedo em menos de 20 segundos, como mostra o vídeo gravado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Meu pai me ensinou a montar o cubo quando eu tinha uns 9 anos. Quando eu fiquei sem treinar depois de uma cirurgia em 2013, acabei usando o cubo pra me distrair e ele virou um dos meus passatempos preferidos. Meu recorde já é 8.8 segundos (risos) – disse.
 

Gui Lin já fala um português fluente

A CHINESA NATURALIZADA
No Brasil há sete anos, a chinesa naturalizada é dona do melhor ranking entre as brasileiras. Na última divulgação da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), ela aparece na 130ª posição, e terá que disputar as etapas preliminares do Mundial. Nas duplas, estará com Caroline Kumahara, e entrará direto na chave principal, o mesmo acontecendo com as duplas mistas, em que jogará com Gustavo Tsuboi

Me sinto 100% brasileira, me adaptei muito bem ao Brasil. Só quero fazer meu melhor nos jogos, focar no desempenho. O resultado será consequência disso. Nas duplas, eu e a Carol jogávamos juntas no juvenil e ganhamos duas etapas do Circuito Mundial juvenil. Claro que o nível do Mundial é muito diferente, mas estamos treinando firme pra poder fazer nosso melhor no jogo. Será a primeira vez que vou jogar dupla mista com o Tsuboi. Ele é um jogador muito forte, de nível muito alto. Estou muito feliz de poder jogar ao lado dele – disse a jogadora.
 

Hugo Hoyama dá instruções para Ligia Silva

CHAMA O HUGO
Maior destaque da história do tênis de mesa brasileiro, Hugo Hoyama se aposentou da seleção brasileira após a participação nos Jogos Olímpicos de Londres, a sexta da carreira. Desde ano passado, comanda a seleção feminina, que conseguiu bons resultados recentemente, como o título da segunda divisão da Copa do Mundo por equipes.

No Mundial, conseguir colocar uma atleta entre as 32 melhores já seria um resultado histórico para o time feminino.
 

Cazuo Matsumoto e Jessica Yamada estiveram juntos em Buenos Aires pela seleção

O AMOR É LINDO
Cazuo Matsumoto, número 107 do ranking mundial, terá que jogar a fase classificatória antes da chave principal. Um dos mais experientes da delegação, o mesa-tenista paulista sentirá falta de sua namorada, Jessica Yamada, jogadora da seleção brasileira que ficou fora da convocação final para a competição. Segundo o jogador de 29 anos, a saudade será grande:

– Sim, sempre sinto. Ela é minha companheira para todas as horas. Independente de onde eu esteja, sempre queria estar perto dela. Quanto ao Mundial, acho que é difícil falar precisamente o que podemos fazer. Mas temos todas as condições de surpreender. Hoje estamos brigando de igual para igual com a maiorias das seleções no mundo – disse ele, que também estará nas duplas, com Thiago Monteiro.
 

Ligia Silva tem três Olimpíadas no currículo

A ÚNICA NÃO ORIENTAL
Ligia Silva é a mais experiente atleta da seleção brasileira. Com 34 anos recém completados, é a única do time que não tem ascendência oriental. Com três Olimpíadas no currículo, acredita ajudar as companheiras:

Consigo dar exemplo, dando para elas superarem e aguentarem jogos importantes, já que sou a mais experiente. Treinando ali do lado delas, tenho que mostrar que não importa a idade, todas precisam lutar. Tenho que puxar a fila, não fazer corpo mole nunca – disse.
 

Caroline Kumahara está na seleção há seis anos

19 ANOS E O QUARTO MUNDIAL ADULTO
Quem acompanha o tênis de mesa de perto deve achar que Caroline Kumahara já está perto dos 30 anos. Na seleção adulta desde os 14, ela chega à China para a disputa do quarto Mundial da carreira com apenas 19 anos. No período, participou de Olimpíadas e Jogos Pan-Americanos, além de ter sido essencial no título da segunda divisão do ano passado, que recolocou a seleção na elite da modalidade.

Neste Mundial da China, Carol tentará ficar entre as 64 melhores, e igualar seu resultado da última edição. A número 143 do mundo vai precisar disputar as fases eliminatórias da competição. Nas duplas, entrará direto na chave principal, ao lado de Gui Lin. Nas mistas, jogará com Hugo Calderano.
 

Gustavo Tsuboi e Tiago Monteiro em ação nas Olimpíadas de Londres

OS EXPERIENTES
Thiago Monteiro, 33 anos, e Gustavo Tsuboi, 29, estão na equipe principal do Brasil há uma década. Thiago disputou as últimas três Olimpíadas e tem 14 Mundiais no currículo. Tsuboi esteve em Pequim 2008 e Londres 2012. No Mundial que tem início neste domingo, vão tentar o melhor resultado de suas carreiras. Tsuboi entrará direto na chave principal no individual, enquanto Thiago precisará passar pelo quali. Nas duplas, Tsuboi jogará com Hugo Calderano e tem a principal chance de avançar bem na competição, já que foram vice-campeões do importante Aberto do Catar no início deste ano.
 

SELEÇÃO “ESTRANGEIRA”
Assim como no futebol, a seleção brasileira de tênis de mesa atua, em sua maioria, em clubes de outros continentes. Thiago Monteiro joga pelo Istres, da França. Hugo Calderano e Gustavo Tsuboi jogam na Alemanha. O primeiro pelo Liebherr Ochsenhausen, o segundo defende o Ochsenhausen. A chinesa naturalizada brasileira Gui Lin está no Linz, da Áustria, time que é atual vice-campeão da Champions League, principal competição de clubes da Europa:

Vou morar sozinha. Linz é uma cidade pequena e muito tranquila de se viver. Acho será bem legal para me focar nos treinamentos – disse Gui Lin.
 

Biriba foi destaque nos anos 60

EM BUSCA DOS MELHORES RESULTADOS DA HISTÓRIA
Jamais um brasileiro alcançou às quartas de final de um Mundial individual de tênis de mesa. O melhor resultado pertence a Biriba, em 1961, e Claudio Kano, em 1987. Os dois foram até as oitavas. Biriba, aliás, derrotou o chinês Rong Guotan, que era campeão mundial na época. Entre as mulheres, o melhor desempenho é de Lourdes Garcia Torres em 1952.

Nas duplas, o principal desempenho foi de Dagoberto Midosi e Ivan Severo, quadrifinalistas em 1954.
 

O FOCO É O PAN
Apesar de ser a competição mais importante do ano, já que reúne os melhores atletas do mundo, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) já deixou claro que o foco da temporada está nos Jogos Pan-Americanos, que serão realizados em Toronto, no Canadá, em julho. A seleção masculina defende o bicampeonato, levou o ouro nas duas últimas edições, enquanto as mulheres buscam um pódio que não vem desde 1999, em Winnipeg. A expectativa também é grande para as competições individuais.

Fonte: Globo Esporte

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